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A Ameaça das Doenças Infecciosas e A Revolução Biotecnológica:

De acordo com estimativas recentes da Organização Mundial da Saúde, as doenças infecciosas causaram 14.7 milhões de mortes em 2001, sendo responsáveis por 26% da mortalidade global. Só o HIV já infectou mais de 30.6 milhões de pessoas e matou mais de 12 milhões desde o seu início!

Vale ressaltar que algumas drogas e vacinas já disponíveis poderiam ter evitado uma parte destas mortes e que em conjunto com o acesso das populações à água e alimentos livres de contaminantes fecais, poderiam ter prevenido cerca de 2 milhões de mortes.

Entretanto, “A ameaça das Doenças Infecciosas” é atualmente a preocupação maior das autoridades em Saúde Coletiva a nível mundial por conta de variáveis ligadas em parte ao desenvolvimento e ao que chamamos de “Modernidade”.

A “globalização” permite, a condição de grande proximidade entre povos e países, derrubando fronteiras e barreiras para o trânsito dos agentes infecciosos.

Sabe-se que um vírus leva não mais do que 48 horas para circular o Globo.

O tradicional conceito de quarentena das pessoas infectadas com determinado microorganismo, como estratégia de isolamento e limitação da expansão das doenças transmissíveis é atualmente impossível na prática e no contexto das infecções virais principalmente.

O exemplo atual da SARS é suficientemente educativo. A velocidade da expansão da doença está na dependência de variáveis da sua dinâmica de transmissão. A ameaça das doenças infecciosas antigas e reemergentes fortalecidas pela resistência aos antibióticos e drogas como é o caso da Tuberculose e da Malária é uma realidade: dois dos projetos prioritários da OMS (Organização Mundial da Saúde) são exatamente o “Roll Back Malaria” e “Stop TB”.

Em paralelo e de forma não menos importante, as doenças transmissíveis novas, que marcaram a humanidade recentemente, como a epidemia do HIV ou o vírus Ebola (de menor intensidade), integram e contribuem para o ameaçador cenário das doenças contagiosas de nossos tempos, decorrente de condições como:

ocupação desordenada do planeta;
alterações climáticas importantes;
maior contato das populações humanas com nichos ecológicos de espécies animais hospedeiras de parasitas que não atingiam o homem, há poucas décadas atrás.
Doenças como a Febre Amarela e a Dengue, que já haviam sido controladas ou se tornado silvestres, voltaram a invadir áreas urbanas; a Encefalite Japonesa; o Ebola; a Influeza (Gripe de Hong-Kong); o HIV, são exemplos de vírus que “saltaram” suas espécies biológicas hospedeiras originais e passaram a infectar as populações humanas com temporalidade e magnitudes diferentes.

Há ainda alguns agravantes de caráter específico, como as doenças parasitárias dos países em desenvolvimento (chamadas “doenças da miséria”) endêmicas e espoliantes que comprometem o estado nutricional dos indivíduos e aumentam o impacto das doenças de caráter epidêmico.

Em paralelo, duas formidáveis revoluções marcam estes nossos tempos: A epidemia de AIDS, acabou por influenciar a questão cultural, que forçou uma drástica mudança de atitude com relação às doenças infecciosas transmissíveis que eram objeto de preconceito, segregação e marginalidade como foi com a hanseníase (lepra) e a tuberculose no passado, associadas a pobreza e falta de higiene.

A AIDS certamente nivelou ricos e pobres embora atualmente sua gravidade esteja concentrada nos países africanos mais pobres, com restrito acesso às drogas caras contra o HIV e baixo nível de informação.