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Situação da febre amarela 2008/2009

Em 2008 ocorreu a reemergência do vírus da febre amarela nas regiões centro-oeste, sudeste e sul. Foi sentida a necessidade de acompanhar as áreas de ocorrência e dispersão do vírus. O Sistema Nacional de Vigilância e Controle da Febre Amarela passou a monitorar os casos humanos suspeitos e a ocorrência de casos em primatas não humanos durante o período que antecedeu o período sazonal de transmissão no Brasil que vai de dezembro a maio.

O monitoramento para o período sazonal visa ampliar o alerta para recomendar a vacina aos grupos de risco.

O período de intensificação da vigilância e monitoramento iniciou-se em 28 de setembro de 2008 até 29 de setembro de 2009. Neste período foram notificados 274 casos humanos suspeitos de febre amarela silvestre (FHS) com 51 casos confirmados (18,6%). Dos confirmados, 21 evoluíram para óbito (letalidade de 41,2%). A mediana de idade foi de 31 anos e o sexo masculino predominou com 37 casos (72%).

O que alertou para o risco de febre amarela no período foram epizootias de primatas (ocorrência da doença em macacos e morte dos mesmos) confirmadas por laboratório num município no noroeste do Rio Grande do Sul, fronteira com a Argentina. Outras epizootias foram surgindo no Estado com expansão progressiva para áreas onde a circulação do vírus não era registrada há décadas e portanto não era recomendada a vacina à população residente, visitante e viajante.

A recente expansão da área de ocorrência entre 2008 e 2009 no Rio Grande do Sul extrapolou as áreas que eram consideradas de risco no Estado e esta situação passou a ser caracterizada como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) baseada no Regulamento Sanitário Internacional, 2005 (RSI 2005).

Ainda em 2009 (fevereiro), nova ESPIN de febre amarela foi observada no Estado de São Paulo em áreas classificadas como indenes (áreas sem ocorrência de casos da doença) e, portanto, sem recomendação de vacina para a população. Os primeiros foram casos humanos suspeitos, depois confirmados por laboratório. A partir daí foram investigadas epizootias em primatas que não tinham sido notificadas. A área de dispersão e ocorrência da Febre Amarela Silvestre ficou restrita a região sul sudeste do estado na proximidade de divisa com o Paraná.

No Estado do Paraná foram registradas epizootias suspeitas, porém, apenas no município de Ribeirão Claro, divisa com São Paulo, foi possível documentar e confirmar Febre Amarela. Não foram notificados casos humanos.

Outros três casos foram confirmados em regiões consideradas endêmicas (áreas onde a FAS costuma ocorrer esporadicamente): Minas Gerais (1 caso) e Mato Grosso (2 casos). Os locais prováveis de infecção foram áreas rurais, silvestres ou de mata.

Área afetada e área ampliada para febre amarela silvestre durante a ESPIN

O Brasil possui uma extensa área geográfica considerada de risco para FAS onde a vacinação contra a doença é adotada na rotina para toda a população residente, a partir de nove meses de idade. Nessa área recomenda-se manter elevadas as taxas de cobertura vacinal, intensificando a vigilância de epizootias de primatas como alerta de risco.

Eventualmente, sem periodicidade definida, o vírus da FA emerge em novos espaços geográficos, podendo invadir áreas onde não tem sido documentado durante anos, caracterizando assim uma ESPIN de FA. Nessas situações de emergência de saúde pública os municípios com indicação de intensificação de vacina contra febre amarela são definidos em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI-2005).

São estabelecidos critérios epidemiológicos que permitem classificar as áreas de acordo com a situação e que permitam priorizar as ações de resposta do serviço de saúde publica e intensificar o uso da vacina. São eles:

Área afetada – constituída por municípios com evidência da circulação do vírus da FA:
Caso humano confirmado
Epizootia de primata por FA confirmada por laboratório
Epizootia de primata por FA confirmada por vínculo epidemiológico
Isolamento do vírus da FA em vetores silvestres.
Área ampliada – municípios contíguos e/ou próximos à área afetada.
Área de recomendação da vacina após ESPIN

Devido ao aumento da área de ocorrência de FA nas regiões centro oeste, sudeste e sul do país e diante da necessidade de conter a expansão da transmissão e se antecipar ao período de transmissão sazonal, a área com recomendação de vacinação na rotina foi ampliada após os resultados das ESPIN(s) com a inclusão de 300 municípios, sendo 271 no Rio Grande do Sul, 44 em SP e 4 no Paraná.

Recomendações para contenção da ESPIN

Priorizar a imunização de pessoas a partir de 9 meses de idade, não vacinadas nos últimos 10 anos, residentes ou viajantes que se deslocam para os municípios da área afetada ou ampliada.
Não está indicada a revacinação em período inferior a 10 anos da última dose. 
Todo caso humano suspeito de Febre Amarela ou morte de macacos deve ser notificado o mais rapidamente possível.
 

Fonte:Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde