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Vírus sincicial respiratório – como proteger a criança pequena com fator de risco

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um dos principais agentes etiológicos nas infecções respiratórias do primeiro ano de vida podendo ser responsável por 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias. Cerca de 40 a 60% das crianças são infectadas no primeiro ano de vida e 95% já foram infectadas até os 2 anos de idade.

EPIDEMIOLOGIA

Tem um caráter sazonal incidindo predominantemente no inverno e no início da primavera, que no Hemisfério Sul vai de maio a setembro.

O vírus atinge o trato respiratório através do contato íntimo (gotículas derivadas de tosse e espirro) com pessoas infectadas ou através de superfícies e objetos contaminados. O tempo de permanência do VSR nas mãos é de menos de uma hora, no entanto em superfícies duras ou porosas (estetoscópio) pode permanecer até 6 horas.

Estudos na América do Sul mostram que a prevalência do VSR varia de 21 a 67,8%. Estudo em São Paulo em crianças de zero a 24 meses mostrou a presença de anticorpos anti-VSR do tipo IgG em todas a s crianças ao final de 2 anos de vida.

O VSR é o agente responsável pela maior parte das internações por infecções respiratórias em unidades neonatais.

Os avanços obtidos após o advento do surfactante exógeno e do aumento do uso da córticoterapia antes do nascimento ocasionaram uma mudança expressiva na viabilidade fetal ocasionando um aumento significativo da população de risco. Os recém nascidos com menos de 1000g apresentam taxas de sobrevida bem maiores do que no passado, contribuindo para o aumento da população que evolui para ”doença pulmonar crônica da prematuridade”. Além disso, os prematuros que nascem com menos de 32 semanas apresentam níveis muito mais baixos de IgG ao nascer tornando-as mais suscetíveis a formas graves do VSR.

POPULAÇÃO DE RISCO – população com maior suscetibilidade a doenças respiratórias.

A Academia Americana de Pediatria considera como população de risco:

Prematuros
Bebês com “doença pulmonar crônica da prematuridade” também conhecida como “displasia bronco-pulmonar”
Cardiopatas congênitos
Portadores de doenças neuro- musculares
Portadores de imunodeficiência inata ou adquirida.
Os avanços obtidos após o advento do surfactante exógeno e do aumento do uso da córticoterapia antes do nascimento ocasionaram uma mudança expressiva na viabilidade fetal ocasionando um aumento significativo da população de risco. Os recém nascidos com menos de 1000g apresentam taxas de sobrevida bem maiores do que no passado, contribuindo para o aumento da população que evolui para ”doença pulmonar crônica da prematuridade”. Além disso, os prematuros que nascem com menos de 32 semanas apresentam níveis muito mais baixos de IgG ao nascer tornando-as mais suscetíveis a formas graves do VSR.

QUADRO CLÍNICO

Na maioria dos casos a infecção inicia-se como um resfriado comum com febre, coriza e tosse e cerca de 25% das crianças menores de 2 anos podem evoluir com bronquiolite ou pneumonia, necessitando internação.

DIAGNÓSTICO

Isolamento do vírus em secreção de nasofaringe- cultura.
Detecção do antígeno viral pelo método Elisa.
Ensaios RT-PCR- A sensibilidade destes ensaios excede a do isolamento de vírus e dos testes de detecção de antígenos.
Tratamento

O tratamento da infecção grave é basicamente de suporte para garantir oxigenação adequada, hidratação e nutrição. Antivirais e Palivizumabe intra-venoso têm sido usados.

PREVENÇÃO

1- Medidas Gerais:

Lavar as mãos antes e após contato com pacientes.
Orientar a família quanto à importância da higienização das mãos e de evitar contato com pessoas que tenham doenças infecciosas.
Desinfecção das superfícies expostas a secreções corporais.
Isolar pacientes hospitalizados.
2 – Imunização:

Ativa – Vacinas têm sido testadas, mas ainda não existe vacina licenciada para uso populacional.

As dificuldades na produção de novas vacinas são agravadas pelas características especiais da população alvo, como possível imaturidade imunológica, redução da resposta pela presença de anticorpos maternos, possível competição antigênica com outras vacinas, imunidade local do trato respiratório de curta duração.

Passiva – Imuno globulinas policlonal e monoclonal.

A imunoglobulina policlonal (RSV-IGIV) possui desvantagem em relação à monoclonal porque é feita por via endovenosa e contra-indicada em cardiopatas devido ao risco de sobrecarga hemodinâmica..

A imunoglobulina monoclonal humanizada, Palivizumabe (Synagis), tem se mostrado eficaz na prevenção de doenças graves. Estudos em vários países mostram uma queda de hospitalização numa média de 55%. A administração mensal de palivizumabe intra-muscular, na dose de 15 mg/kg durante 5 meses consecutivos foi eficaz para prevenir os graves processos infecciosos causados pelo VSR em lactentes prematuros de risco.

INDICAÇÃO

Altamente recomendado:

Prematuros com 28 semanas ou menos de idade gestacional sem DPC (doença pulmonar crônica) estando com menos de 12 meses no início do período de sazonalidade do VSR.
Crianças menores de 2 anos com DPC que necessitem de oxigênio suplementar, bronco dilatador, diurético ou corticoterapia.
Crianças menores de 2 anos com cardiopatia congênita cianótica ou cardiopatias com hipertensão pulmonar severa ou em tratamento para ICC.
Recomendado:

Lactentes nascidos entre 29 a 32 semanas de idade gestacional, sem DPC, com menos de 6 meses de idade no início do período da sazonalidade do VSR.
Lactentes nascidos com 32 a 35 semanas de idade gestacional apresentando dois ou mais dos seguintes fatores de risco: ambiente de creche, irmão em idade escolar, exposição a poluentes ambientais (cigarro), anomalia congênita das vias aéreas – sempre no período de sazonalidade quando ocorre nos primeiros 12 meses de vida.
CONTRAINDICAÇÃO

Crianças que tenham tido uma reação alérgica grave a uma dose anterior do palivizumabe, como, choque anafilático, edema de glote, urticária generalizada.

Deve ser administrada com cautela a pacientes com trombocitopenia ou qualquer distúrbio de coagulação.

DOSAGEM E ADMINISTRAÇÃO

15 mg/kg , a cada 30 dias, por via intramuscular, iniciando antes do começo da sazonalidade, de maio a setembro (no hemisfério sul). Em geral, 5 doses são suficientes para promover proteção.

O Synagis é apresentado em frasco de uso único com 100mg de produto liofilizado

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Pode ser aplicado concomitante com outras vacinas.

EVENTOS ADVERSOS:

Sistêmicos: reações alérgicas graves são raras. Exantema discreto, febre, coriza e dor de ouvido podem ocorrer.

Locais: edema, vermelhidão e desconforto.

Observação: A Imunoglobulina monoclonal (Synagis) já se encontra disponível nas unidades da rede Prophylaxis.

Fonte: Informe técnico da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Informe técnico da Abbott

Center of disease Control – Respiratory Syncytial Virus.