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GASTROENTERITE POR NOROVÍRUS

As noroviroses são a causa mais comum de gastroenterite epidêmica, responsável por aproximadamente 50% de todos os surtos de gastroenterite em todo o mundo e é a principal causa de doença diarreica transmitida por alimentos. Diferente do rotavírus, ainda não existe vacina para o norovírus.
O norovirus foi identificado pela primeira vez como causa de gastroenterite, em Ohyo, em 1968.

Devido a falta de métodos diagnósticos sensíveis, a epidemiologia do norovírus permaneceu pobre até há pouco tempo. A partir de 2001 avanços substanciais foram feitos na epidemiologia, imunologia, métodos diagnósticos e controle da infecção.

O VÍRUS

Gênero Norovirus, família Caliciviridae. São divididos em 5 genogrupos de GI a GV, baseado na identidade de aminoácido da principal proteína estrutural. As cepas que infectam humanos são GI, GII e GIV.

CLÌNICA

As noroviroses causam gastroenterite aguda em pessoas de todas as idades.

Período de incubação – 12 a 48 horas.

Início agudo, diarréia não sanguinolenta, vômitos, náuseas e dor abdominal. Febre baixa e dor no corpo também podem estar associadas. Embora os sintomas possam ser severos eles costumam desaparecer após 1 a 3 dias, sem tratamento, em pessoas saudáveis. Crianças, pessoas idosas e pessoas com doenças crônicas principalmente, podem ter um curso da doença mais prolongado ( 4 a 6 dias). Aproximadamente 10% das pessoas necessitam atendimento médico que inclui hospitalização e hidratação. Norovirus associado a óbitos tem sido relatados em pessoas muito idosas que vivem em abrigos.

O vírus pode ser detectado em fezes numa média de 4 semanas após a infecção. O pico viral ocorre do 2º ao 5° dia.

30% das infecções por norovírus são assintomáticas e estas pessoas podem disseminar o vírus.

TRANSMISSÃO

Norovírus é extremamente contagioso. Os humanos são o único reservatório conhecido. A transmissão ocorre por 3 vias: pessoa a pessoa, alimentos e águas contaminadas. A transmissão por alimentos geralmente ocorre por contaminação de mãos infectadas de manipuladores durante a preparação dos alimentos ou antes no sistema de distribuição dos alimentos por contaminação com dejetos humanos, muito comum em ostras e framboesa.

TRATAMENTO – Reposição hídrica.

DOENÇA ESPORÁDICA

Estudos de revisão em países desenvolvidos e em desenvolvimento estima que as noroviroses causam gastroenterite severa em 10 a 15 % de crianças menores de 5 anos e 9 a 15% diarréia leve ou moderada em todas as idades.

Estudo baseado em laboratório de doença endêmica de norovirus nos EUA são esparsos. Recentes estudos sugerem que norovirus é a principal causa de gastrenterite aguda atendida em ambulatórios e departamentos de emergência, em todos os grupos etários.

Estudos sorológicos demonstraram que as infecções por norovírus são prevalentes no mundo e que a exposição inicial começa muito cedo na vida. Estudos populacionais na Austrália, Inglaterra, Hong Kong e Noruega, mostram norovírus responsáveis por 9 a 24% dos casos de gastroenterite. É mais freqüentes em crianças menores de 5 anos e em idosos > 65 anos.

Estudos que usam ensaios moleculares detectaram uma relativa alta prevalência de amostras positivas para norovirus em assintomáticos ( 5% em na Noruega e 16% na Inglaterra).

EPIDEMIAS

É a causa predominante de epidemias de gastroenterite no mundo. Estudos relatam o norovirus como responsável por aproximadamente 50% das epidemias nos EUA e Europa.

Embora ocorra durante o ano, existe, porém, um padrão sazonal nos meses de inverno em associação com a emergência de uma nova cepa GII.4.

Como a transmissão pode se dar através de alimentos, água e superfícies contaminadas bem como, diretamente pessoa a pessoa, as epidemias ocorrem em locais institucionais como, hospitais, abrigos, escolas, creches e afeta pessoas de todas as idades. Estudos mais recentes indicam que a maioria das epidemias envolve a transmissão pessoa a pessoa.

Estudo com 660 epidemias de norovirus confirmadas por laboratório:

  • 234 (35,4%) – instituições: abrigo, creches, asilos, etc.
  • 205 (31,1%) – restaurantes, festas e eventos.
  • 135 ( 20,5%) – locais de férias, incluindo cruzeiros em navios.
  • 86 (13,0%) – escolas e comunidades.

Restaurantes

O alimento pode ser contaminado em qualquer fase da sua produção: processamento, distribuição e produção. Alimentos crus (folhas, frutas) são de fácil contaminação.

Somente uma pequena dose do vírus é capaz de produzir infecção e assim os manipuladores de alimentos podem contaminar grande quantidade de produtos.

Cruzeiros Passageiros e tripulação de cruzeiros são afetados com freqüência.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL:

  • PCR – ensaio em cadeia de polimerase
  • Sequenciamento de DNA.
  • Imunoensaios enzimáticos
  • Utilizar fezes frescas é mais indicada do que swab retal.
  • Fezes podem permanecer refrigeradas, a 4°C durante 2 a 3 semanas.

PREVENÇÃO E CONTROLE

Higiene das mãos – É o mais importante método para prevenir norovírus.
Água corrente e sabão – remoção mecânica; álcool gel não é tão eficiente.

Exclusão e isolamento –

Considerando a alta infecciosidade do norovírus, exclusão e isolamento de pessoas infectadas são frequentemente os meios mais práticos de interromper a transmissão, limitando a contaminação do ambiente. Isto é muito importante em estabelecimentos como asilos, hospitais, cruzeiros e dormitórios de colégios. A intenção é minimizar o contato com pessoas durante o período mais infeccioso (24 a 72 horas). Passageiros em cruzeiros devem permanecer isolados voluntariamente em suas cabines por um período de 24 a 48 horas após a resolução dos sintomas.

Desinfecção do ambienteÉ importante o uso de desinfetantes químicos – hipoclorito de sódio.

Fonte: MMWR/CDC (4 de março/2011),60 (RR03); 1-15

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O QUE É MEDICINA DE VIAGEM?

A Organização Mundial do Turismo – OMT – estima que, no ano de 2006, o fluxo de turistas internacionais foi de 842 milhões, sendo que, 402 milhões (50%) viajaram por prazer, férias e recreação, 125 milhões (16%) a negócios, 212 milhões (25%) para visitar amigos e parentes, motivos de saúde e religiosos e mais de 7 milhões (9%) para estudar. Estatísticas indicam que já somam 1,5 milhão de estudantes com ensino médio completo por ano no mundo, que buscam uma instituição de ensino no exterior.

De acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 900 milhões de viagens internacionais foram realizadas em 2008. De um total de 50 milhões de viajantes a países em desenvolvimento, quatro milhões (8%) precisam de atendimento médico durante ou após a viagem.

Os elementos-chave mais importantes para determinar o risco para os viajantes estão relacionados com: destino da viagem; hospedagem e acesso aos serviços básicos de higiene; saneamento básico; manipulação adequada dos alimentos; duração da viagem e estação do ano; comportamento e estilo de vida do viajante.

As pessoas quando viajam expõem-se a riscos, pois ao deixarem seu meio ambiente habitual deparam-se com variações de altitude, umidade, temperatura, variadas condições sanitárias e diferentes microorganismos, principalmente vírus e bactérias, que podem gerar prejuízo direto à saúde e ao mesmo tempo favorecerem também a propagação de doenças.

A Medicina de Viagem surgiu como especialidade no final da década de 70 na Europa Ocidental e EUA, tendo como objetivo primário proteger a saúde do viajante, reduzindo as oportunidades de adoecimento.

Em 1990 foi criada a International Society of Travel Medicine (ISTM) e só em 2008 foi criada a Sociedade Brasileira de Medicina de Viagem, embora já houvessem alguns serviços funcionando no Brasil a partir da segunda metade da década de 90.

O serviço de Medicina de Viagem pode proporcionar ao viajante informações sobre o local de destino e medidas de prevenção que devem ser adotadas antes e durante sua viagem. A equipe destes serviços é constituída por médicos e profissionais de enfermagem.

É importante que o atendimento se dê pelo menos 4 a 6 semanas e no mínimo 10 a 15 dias antes da viagem, para que as vacinas necessárias possam ser aplicadas, pois algumas vacinas devem ser aplicadas em mais de uma dose. A única vacina obrigatória internacionalmente é a da Febre Amarela. Vacinas habituais (tétano/difteria, tríplice viral, hepatite B, influenza, varicela) devem ser checadas e se necessário atualizadas.

De grande importância são as vacinas recomendadas de acordo com o destino da viagem: febre tifóide, hepatite A, cólera, poliomielite, anti- meningocócica, raiva. Para a malária, doença grave, não existe vacina, mas dependendo do destino e das condições de alojamento o viajante deve levar medicamento preventivo.

Muito importantes são as orientações sobre como se proteger de picadas de insetos que transmitem doenças como a febre amarela, malária, dengue e outras, conhecendo o uso de repelentes apropriados, mosqueteiros e outros cuidados. Igualmente importantes são os cuidados com alimentos, água de consumo e hábitos de higiene pessoal evitando assim a famosa “diarréia dos viajantes”, hepatite A e outras.

Orientações sobre prevenção da gripe, mudanças de altitude e de fuso horário (jet lag), bem como, prevenção da trombose venosa profunda são importantes, porque estas situações podem gerar sintomas desagradáveis.

A Medicina de Viagem foi criada com o intuito de proporcionar ao viajante, seja qual for o objetivo de sua viagem, que a mesma seja prazeirosa, afastando ao máximo possibilidades de adoecimento e ao mesmo tempo evitar que o viajante seja transmissor de doenças infecciosas, algumas ainda não existentes no país.

Meri Baran
Especialista em Saúde Pública /Epidemiologia

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VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO – COMO PROTEGER A CRIANÇA PEQUENA COM FATOR DE RISCO

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um dos principais agentes etiológicos nas infecções respiratórias do primeiro ano de vida podendo ser responsável por 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias. Cerca de 40 a 60% das crianças são infectadas no primeiro ano de vida e 95% já foram infectadas até os 2 anos de idade.

EPIDEMIOLOGIA

Tem um caráter sazonal incidindo predominantemente no inverno e no início da primavera, que no Hemisfério Sul vai de maio a setembro.

O vírus atinge o trato respiratório através do contato íntimo (gotículas derivadas de tosse e espirro) com pessoas infectadas ou através de superfícies e objetos contaminados. O tempo de permanência do VSR nas mãos é de menos de uma hora, no entanto em superfícies duras ou porosas (estetoscópio) pode permanecer até 6 horas.

Estudos na América do Sul mostram que a prevalência do VSR varia de 21 a 67,8%. Estudo em São Paulo em crianças de zero a 24 meses mostrou a presença de anticorpos anti-VSR do tipo IgG em todas a s crianças ao final de 2 anos de vida.

O VSR é o agente responsável pela maior parte das internações por infecções respiratórias em unidades neonatais.

Os avanços obtidos após o advento do surfactante exógeno e do aumento do uso da córticoterapia antes do nascimento ocasionaram uma mudança expressiva na viabilidade fetal ocasionando um aumento significativo da população de risco. Os recém nascidos com menos de 1000g apresentam taxas de sobrevida bem maiores do que no passado, contribuindo para o aumento da população que evolui para ”doença pulmonar crônica da prematuridade”. Além disso, os prematuros que nascem com menos de 32 semanas apresentam níveis muito mais baixos de IgG ao nascer tornando-as mais suscetíveis a formas graves do VSR.

POPULAÇÃO DE RISCO – População com maior suscetibilidade a doenças respiratórias

A Academia Americana de Pediatria considera como população de risco:

Prematuros

  • Bebês com “doença pulmonar crônica da prematuridade” também conhecida como “displasia bronco-pulmonar”.
  • Cardiopatas congênitos.
  • Portadores de doenças neuro- musculares.
  • Portadores de imunodeficiência inata ou adquirida.

Os avanços obtidos após o advento do surfactante exógeno e do aumento do uso da córticoterapia antes do nascimento ocasionaram uma mudança expressiva na viabilidade fetal ocasionando um aumento significativo da população de risco. Os recém nascidos com menos de 1000g apresentam taxas de sobrevida bem maiores do que no passado, contribuindo para o aumento da população que evolui para ”doença pulmonar crônica da prematuridade”. Além disso, os prematuros que nascem com menos de 32 semanas apresentam níveis muito mais baixos de IgG ao nascer tornando-as mais suscetíveis a formas graves do VSR.

QUADRO CLÍNICO

Na maioria dos casos a infecção inicia-se como um resfriado comum com febre, coriza e tosse e cerca de 25% das crianças menores de 2 anos podem evoluir com bronquiolite ou pneumonia, necessitando internação.

DIAGNÓSTICO

  • Isolamento do vírus em secreção de nasofaringe- cultura.
  • Detecção do antígeno viral pelo método Elisa.
  • Ensaios RT-PCR- A sensibilidade destes ensaios excede a do isolamento de vírus e dos testes de detecção de antígenos.

Tratamento

O tratamento da infecção grave é basicamente de suporte para garantir oxigenação adequada, hidratação e nutrição. Antivirais e Palivizumabe intra-venoso têm sido usados.

PREVENÇÃO

1- Medidas Gerais:

  • Lavar as mãos antes e após contato com pacientes.
  • Orientar a família quanto à importância da higienização das mãos e de evitar contato com pessoas que tenham doenças infecciosas.
  • Desinfecção das superfícies expostas a secreções corporais.
  • Isolar pacientes hospitalizados.

2 – Imunização:

Ativa – Vacinas têm sido testadas, mas ainda não existe vacina licenciada para uso populacional.

As dificuldades na produção de novas vacinas são agravadas pelas características especiais da população alvo, como possível imaturidade imunológica, redução da resposta pela presença de anticorpos maternos, possível competição antigênica com outras vacinas, imunidade local do trato respiratório de curta duração.

Passiva – Imuno globulinas policlonal e monoclonal.

A imunoglobulina policlonal (RSV-IGIV) possui desvantagem em relação à monoclonal porque é feita por via endovenosa e contra-indicada em cardiopatas devido ao risco de sobrecarga hemodinâmica.

A imunoglobulina monoclonal humanizada, Palivizumabe (Synagis), tem se mostrado eficaz na prevenção de doenças graves. Estudos em vários países mostram uma queda de hospitalização numa média de 55%. A administração mensal de palivizumabe intra-muscular, na dose de 15 mg/kg durante 5 meses consecutivos foi eficaz para prevenir os graves processos infecciosos causados pelo VSR em lactentes prematuros de risco.

INDICAÇÃO

Altamente recomendado:

  • Prematuros com 28 semanas ou menos de idade gestacional sem DPC (doença pulmonar crônica) estando com menos de 12 meses no início do período de sazonalidade do VSR.
  • Crianças menores de 2 anos com DPC que necessitem de oxigênio suplementar, bronco dilatador, diurético ou corticoterapia.
  • Crianças menores de 2 anos com cardiopatia congênita cianótica ou cardiopatias com hipertensão pulmonar severa ou em tratamento para ICC.

Recomendado:

  • Lactentes nascidos entre 29 a 32 semanas de idade gestacional, sem DPC, com menos de 6 meses de idade no início do período da sazonalidade do VSR.
  • Lactentes nascidos com 32 a 35 semanas de idade gestacional apresentando dois ou mais dos seguintes fatores de risco: ambiente de creche, irmão em idade escolar, exposição a poluentes ambientais (cigarro), anomalia congênita das vias aéreas – sempre no período de sazonalidade quando ocorre nos primeiros 12 meses de vida.

CONTRAINDICAÇÃO

Crianças que tenham tido uma reação alérgica grave a uma dose anterior do palivizumabe, como, choque anafilático, edema de glote, urticária generalizada.

Deve ser administrada com cautela a pacientes com trombocitopenia ou qualquer distúrbio de coagulação.

DOSAGEM E ADMINISTRAÇÃO

15 mg/kg , a cada 30 dias, por via intramuscular, iniciando antes do começo da sazonalidade, de maio a setembro (no hemisfério sul). Em geral, 5 doses são suficientes para promover proteção.

O Synagis é apresentado em frasco de uso único com 100mg de produto liofilizado

Pode ser aplicado concomitante com outras vacinas.

EVENTOS ADVERSOS:

Sistêmicos: reações alérgicas graves são raras. Exantema discreto, febre, coriza e dor de ouvido podem ocorrer.

Locais: edema, vermelhidão e desconforto.

Observação: A Imunoglobulina monoclonal (Synagis) já se encontra disponível nas unidades da rede Prophylaxis.

Fonte: Informe técnico da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Informe técnico da Abbott
Center of disease Control – Respiratory Syncytial Virus.

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MARCADORES SOROLÓGICOS DA HEPATITE B

Diversos sistemas antígeno-anticorpo são associados com a infecção pelo vírus da Hepatite B (HBV).

O HBsAg, formalmente chamado de antígeno austrália, é um determinante antigênico encontrado na superfície do vírus e que pode pode ser identificado no soro uma a três semanas após a exposição ao HBV, persistindo por períodos variáveis. O HBsAg não é infeccioso; somente o vírus completo é infeccioso. Entretanto, quando o HBsAg está presente no sangue, o vírus completo também está e indica que a pessoa está infectada (podendo ser uma infecção aguda ou crônica) e pode transmitir o HBV.

O HBcAg é a proteína do nucleocapsídeo central do HBV. O HBcAg não é detectável no soro pelas técnicas convencionais mas pode ser detectado no tecido hepático de pessoas com infecção aguda ou crônica pelo HBV.

O HBeAg é uma proteína solúvel também contida no centro do HBV. Ë detectável no soro de pessoas com altos títulos virais e indica alta infectividade.

O anticorpo anti-HBsAg se desenvolve após a infecção aguda pelo HBV (durante a convalescência) ou após a vacinação contra a Hepatite B. A presença do anti-HBsAg indica imunidade à Hepatite B. Uma títulagem superior à 10 mIU / ml é considerada indicativa de imunidade.

O anticorpo anti-HBcAg aparece logo após a infecção pelo HBV e geralmente persiste por toda a vida, indicando infecção pelo HBV a um tempo indeterminado no passado. Este anticorpo não aparece após a imunização contra a Hepatite B.

O anti-HBcAg IgM indica infecção recente pelo HBV e é o melhor marcador sorológico da infecção aguda.

O anticorpo anti-HBeAg se torna detectável quando o HBeAg desaparece e é associado a baixa infectividade do soro.

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E SOROLÓGICAS

A maioria das infecções agudas nos adultos resulta em completa recuperação, com eliminação do HBsAg do sangue e produção do anticorpo anti-HBsAg (conferindo imunidade a futuras infecções pelo HBV).

1 – 2% dos casos em adultos se apresenta como hepatite fulminante, com taxas de mortalidade de 63 – 93%. Mas apesar das consequências da hepatite B aguda poderem ser severas, a maioria das complicações graves são devidas à infecção crônica, como a hepatite crônica, a cirrose, a falência hepática e o carcinoma hepatocelular .

O risco de se desenvolver infecção crônica pelo HBV decresce com a idade. Aproximadamente 90% dos recém-nascidos que adquirem a infecção pelo HBV no nascimento se tornam portadores; das crianças infectadas entre 1–5 anos de idade, 30–50% se tornam portadoras. Já os adultos apresentam um risco menor de se tornarem portadores (em torno de 6-10%).

TESTE SOROLÓGICO DAS PESSOAS VACINADAS

“Para adultos e crianças com estado imunitário normal, não são recomendadas doses adicionais da vacina nem testes sorológicos de rotina para se avaliar o estado imunitário dos vacinados.”

1. SOROLOGIA PRÉ-VACINAÇÃO:

O teste sorológico não é recomendado antes da imunização de rotina de crianças e adultos (incluindo profissionais de saúde em formação).

Deve ser considerado somente nos grupos que apresentam alto risco de infecção pelo HBV, como homosexuais masculinos, usuários de drogas endovenosas, nativos do Alaska, residentes das Ilhas do Pacífico, crianças de imigrantes de países endêmicos e familiares de portadores do HBsAg.

2. SOROLOGIA PÓS-VACINAÇÃO:

Após 3 doses da vacina contra a Hepatite B, administradas por via intra-muscular, mais de 90% dos adultos e 95% das crianças desenvolvem uma resposta imunitária adequada, ou seja, uma titulagem de anti-HBsAg superior a 10 mUI / ml.

Assim, o teste sorológico não é recomendado de rotina após a imunização de crianças, adolescentes e a maioria dos adultos.

Deve ser considerado para pessoas cujo manejo subsequente depende do conhecimento do seu estado imunitário, como: recém-nascidos de mães HBsAg +, hemodialisados, imunocomprometidos e determinados profissionais de saúde.

Quando necessária, a sorologia para detecção do anti-HBsAg deve ser feita de 1-2 meses após a finalização do esquema de vacinação, de modo a fornecer informações definitivas sobre a resposta da vacina.

Todos os recém-nascidos e mães HBsAg + devem ser testados de 3-9 meses após a terceira doses da vacina contra a Hepatite B. Se O HBsAg não for detectável e o anti-HBsAg estiver presente, estas crianças podem ser consideradas protegidas.

Em 1997 o ACIP passou a recomendar o teste sorológico de rotina (anti-HBsAg) após a vacinação para todo profissional de saúde que tenha contato com pacientes ou sangue e estão sob risco de ferimentos com instrumentos cortantes ou agulhas.

3. VACINADOS NÃO-RESPONDEDORES:

Vários fatores têm sido associados a não-responsividade à vacina contra a Hepatite B, como fatores relacionados à vacina (dose, esquema, local de administração) e fatores relacionados ao hospedeiro, como: idade (> 40 anos), sexo (masculino), peso (obesidade), ser fumante e competência imunonógica.

A revacinação dos não-respondedores a um esquema primário de vacinação administrada no deltóide produz uma resposta adequada em 15-25% após 1 dose adicional e 30-50% após 3 doses adicionais.

Dados sugerem que, para pessoas que não responderam à uma série primária administrada no glúteo, a revacinação no deltóide induz uma resposta adequada em 75% dos casos.

Conduta para não respondedores

Completar uma 2° Série de 3 doses da vacinas
Administrar a 2° Série no esquema usual: 0,1 e 6 meses
Repetir a sorologia 1-2 meses após o término da 2° Série

Atenção: Como os títuLos de anti-HBsAg podem cair em pessoas que responderam com títulos baixos, pessoas inicialmente respondedoras podem ser erroneamente consideradas não-respondedores caso testadas após o período ideal de 1-2 meses após a 3a. dose da vacina. Para pessoas que se vacinaram há mais de 6 meses e que ao fazerem uma sorologia não apresentam o anti-HBsAg detectável, pode-se considerar repetir uma dose da vacina para se avaliar o nível de anti-HBsAg 1 mês depois. Se houver um titulo protetor, pode-se considerar que a pessoa havia respondido previamente. Se não houver resposta, o restante do esquema pode ser administrado.

Apesar dos estudos sugerirem bons resultados após novas doses da vacina, pessoas que não respondem a 3 novas doses (em torno de < 5%) possivelmente não responderão e devem ser consideradas não imunes à infecção pelo HBV. Esta não resposta também pode estar ligada a fatores genéticos e HLA específicos. Fonte: Epidemiology and Prevention of Vaccine Preventable Diseases
(The Pink Book), National immunization Program, CDC – 6a. Edição, 2001

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VACINAÇÃO PARA A PREVENÇÃO DE MENINGITE EM PESSOAS COM IMPLANTES COCLEARES

Um estudo recente realizado na América do Norte pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) e pelo Food and Drug Administration (FDA) comprovou que crianças com implantes cocleares apresentam uma maior chance de adquirir meningite bacteriana, principalmente a causada pelo Streptococcus pneumoniae (pneumococo).

Foi ainda observado que algumas crianças candidatas à cirurgia já podem ter fatores que aumentam o risco de meningite, mesmo antes de receberem o implante.

A partir deste estudo, o CDC passou a recomendar a vacinação contra o pneumococo para todas as pessoas com implantes cocleares, de acordo com as recomendações que se aplicam às pessoas com risco aumentado.

Recomendações do CDC para pessoas a partir de 2 anos de idade com implantes cocleares:

Aquelas que completaram a imunização com a vacina anti-pneumocócica conjugada devem receber uma dose da vacina anti- pneumocócica polissacarídica

23-valente. Caso tenham acabado de receber a vacina conjugada, devem aguardar pelo menos 2 meses antes de receber a vacina polissacarídica.

Aquelas entre 24 e 59 meses de idade que nunca foram imunizadas contra o pneumococo, devem receber 2 doses da vacina anti-pneumocócica conjugada (intervalo mínimo de 2 meses entre as doses) e logo após 1 dose da vacina anti-pneumocócica polissacarídica (pelo menos 2 meses após a última dose da anti-pneumocócica conjugada).

Pessoas a partir de 5 anos de idade devem receber uma dose da vacina anti-pneumocócica polissacarídica.

Para se obter uma maior proteção durante e após a cirurgia, os candidatos a implantes cocleares devem se certificar até 2 semanas antes da cirurgia que tenham tomado a vacina anti-pneumocócica e, caso tenham idade inferior a 5 anos, que tenham tomado também a vacina anti-Haemophilus b. A vacina anti-meningocócica normalmente não é necessária, nem antes nem após a cirurgia.

A vacinação deve ser feita também por aqueles com história passada de meningite pneumocócica, já que a doença não confere uma proteção adequada contra se adquirir este tipo de meningite novamente.

Fonte: – “Use of Vaccines for the Prevention of Meningites in Persons with Cochlear Implants”, Fact Sheet July 30, 2003, National Immunization Program, CDC.

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FEBRE AMARELA

Atualização Epidemiológica – Fevereiro de 2019

Resumo da situação nas Américas

Entre janeiro de 2017 e dezembro de 2018, 6 países na região das Américas registraram casos de Febre amarela: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa e Peru. Chama a atenção o fato de que o no. de casos notificados neste período excedeu em muito o no. de casos registrados em muitas décadas.

No Brasil

A Febre amarela apresenta historicamente uma sazonalidade, com pico de transmissão entre os meses de dezembro e maio.

A recente expansão geográfica da doença para áreas conside- radas livres de risco ocorreu
em 2 ondas de transmissão sazonal: uma entre 2016 – 2017, com 778 casos humanos (incluindo 262 mortes) e outra entre 2017– 2018, com 1.376 casos humanos (incluindo 483 mortes).

Na estação sazonal atual (2018 – 2019), já foram confirmados 37 casos da doença (35 em São Paulo e 2 no Paraná), com 9 óbitos. Em paralelo, o estado do Paraná confirmou a presença do vírus em macacos que apareceram mortos.

A situação atual na divisa entre São Paulo e Paraná assinalam o início do que pode ser um 3o. Ciclo da doença, com progressão da expansão geográfica para as regiões sudeste e sul de nosso país.

Vacinação

Dada à gradual expansão geográfica da febre amarela nos últimos anos, o Brasil alterou a recomendação de imunização contra a doença, onde a vacina passará a ser recomendada de rotina para todo o território brasileiro e em esquema de dose única, alinhada com as recomendações da OMS (2017).
Campanhas de vacinação para responder aos surtos (e ao risco da doença se tornar urbana) têm sido realizadas anualmente pelo MSB.

A estimativa atual de pessoas não vacinadas é de 36 ,9 milhões na região sudeste e de 13,1 milhões na região sul. Todos os estados brasileiros ainda apresentam cobertura vacinal bem abaixo da meta de 95%.

Recomendações para viajantes internacionais com relação à vacinação estão disponíveis no site: http://www.who.int/ith/en

Ref: Atualização Epidemiológica da Febre amarela, Organização Pan Americana de Saúde, 25 de janeiro de 2019
MSB – http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45213-fbre-amarela-populacao-do-sul-e-sudeste-deve-buscar-vacina

Novidade na emissão do CERTIFICADO INTERNACIONAL DE VACINAÇÃO CONTRA A FEBRE AMARELA (CVIP)

O governo federal lançou este ano o serviço digital para emissão do CVIP, onde a solicitação, o acompanha- mento e o recebimento do documento tem trâmite totalmente digital. O Brasil é o primeiro país a ofertar a emissão on line deste documento, de forma gratuita e descentralizada.
O CIVP é exigido atualmente por mais de 100 países.

Passo a passo:

1 – Tomar a vacina em um posto ou clínica credenciada.
2 – Cadastrar-se no site da ANVISA (CIVNET) e enviar a solicitação pelo site (http://www.serviços.gov.br/).
O processo será atualizado em até 5 dias úteis e, se aprovado, o usuário receberá uma mensagem de acordo com
os dados do cadastro.
3 – Imprimir o “Cartão” e assinar no local indicado no “Certificado”, sem a necessidade de comparecer a uma Unidade
da ANVISA.
OBS – O atendimento presencial será mantido em casos de dificuldade de acesso ao processo digital, estrangeiros sem CPF, analfabetos e população indígena.
Ref: MSB – http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45147-ministro-da-saude-participa-das-comemoracoes-dos-20-anos-da-anvisa

SITUAÇÃO DO SARAMPO NO BRASIL

Do início de 2018 até 8 de janeiro de 2019 o Brasil já tem confirmados 10.274 casos de Sarampo, sendo os estados com maior no. de casos: Roraima (355 casos, com 4 óbitos) e Amazonas (9.778 casos, com 12 óbitos).

O Ministério da Saúde permanece monitorando a situação em todo o país e as medidas de controle e prevenção da doença continuam a ser adotadas, chamando a atenção a baixa cobertura vacinal na grande maioria dos estados, longe da meta do governo, que é de 95%.

SITUAÇÃO DA DIFTERIA NAS AMÉRICAS

A Difteria, até então considerada controlada nas Américas, também volta a assustar. Há no momento surtos da doença em 3 países das Américas: VENEZUELA (com 1.559 casos confirmados), COLÔMBIA (com 8 casos confirmados e 3 mortes) e HAITI (com 264 casos confirmados).

Os grupos de maior risco são: crianças menores de 5 anos, profissionais de saúde, militares e detentos.

A vacinação primária na infância e a continuidade da vacinação ao longo da vida (de 10 em 10 anos) é fundamental para o controle da transmissão da doença.

ALTERAÇÃO NA RECOMENDAÇÃO SOBRE REVACINAÇÃO COM A BCG

Com base em recomendação da OMS – onde estudos apontam que a ausência de cicatriz vacinal não é indicativo de ausência de proteção e que a revacinação não confere benefício adicional contra a Tuberculose ou a Hanseníase – a Coordenação-Geral do “Programa Nacional de Imunizações” suspendeu em fevereiro / 2019 a revacinação BCG de crianças vacinadas que não desenvolveram cicatriz vacinal, independente do tempo transcorrido após a vacinação. As demais indicações de uso da vacina serão mantidas.

Ref: NOTA INFORMATIVA No 10/2019-CGPNI/DEVIT/SVS/M – WWW.WHO.INT/IMMUNIZATION/POLICY/POSITION_PAPERS/BCG/EN/

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REAÇÕES ADVERSAS PÓS-VACINAÇÃO

A vacinação é uma das ações de maior sucesso da saúde pública de todos os tempos, responsável pelo declínio e controle de doenças importantes nas últimas décadas em todo o mundo.

Apesar das vacinas de uso corrente serem extremamente seguras e eficazes, existe uma baixa tolerância da população em relação às reações adversas pós-vacinais, acentuada ao longo dos anos pela diminuição das doenças imunopreveníveis e principalmente por serem as vacinas produtos utilizados na rotina em pessoas saudáveis, onde um alto padrão de segurança, maior que com qualquer medicamento, é exigido.

Assim, a segurança vacinal sempre foi alvo de muita atenção por parte dos fabricantes de vacinas e profis- sionais que trabalham com imunização, onde a confiança da população na segurança das vacinas é funda- mental para a manutenção dos índices de cobertura vacinal, sem os quais doenças graves podem de fato podem voltar a causar dor e sofrimento.

Reações adversas

Deixando de lado os eventos adversos (sinais / sintomas relacionados temporalmente à vacinação mas sem relação causal estabelecida) e as reações eventualmente relacionadas ao mal uso da técnica de preparo/administração, é importante – antes de mais nada – ressaltar que

“as reações adversas pós-vacinais são na grande maioria das vezes brandas e transitórias resolvendo-se espontaneamente ou com a adoção de medidas simples ou medicação sintomática”.

Assim, reações como eritema, dor, edema e eventualmente nódulo frio no local de aplicação e/ou febre são reações esperadas, resolvidas com compressas locais (frias nas 1as 48 h e compressas mornas após 48 h) e antitérmico na grande maioria das vezes.

Há entretanto algumas vacinas que têm sido associadas, em uma minoria da população, a reações mais intensas, incluindo neste grupo as reações de hipersensibilidade. Estas reações, apesar de raras, já são descritas nas bulas de alguns produtos e merecem nosso destaque neste informe, principalmente porque podem ser interpretadas e conduzidas de maneira inadequada.

Reações de hipersensibilidade: classificação e conduta

_ Reações do TIPO I – Compreendem as reações de hipersensibilidade imediata – do “tipo anafiláticas”.

Podem estar relacionadas a qualquer substância presente nas vacinas (como antibióticos, conservantes, adjuvantes ou até mesmo o antígeno vacinal), assim, podem ocorrer com qualquer vacina e a triagem antes da vacinação é fundamental para se minimizar o risco. É importante ressaltar que as reações anafi- láticas pós-vacinação são extremamente raras, principalmente com o aumento da utilização de produtos monodose e o avanço da biotecnologia, que nos proporciona vacinas cada vez mais purificadas.

Conduta – Atendimento de emergência com administração de medicação anti-histamínica ou adrenalina nos casos mais graves. Fica contraindicada a administração futura da vacina em questão.

_ Reações do TIPO II – São as reações citotóxicas, relacionadas a formação de anticorpos que se ligam a antígenos de células do próprio organismo, causando a sua destruição. Esse mecanismo está envolvido, por exemplo, na Síndrome de Guillain Barré (SGB),que pode ser desencadeada após certas infecções e tem sido também descrita após o uso da vacina anti-gripal. É fundamental frisar que a SGB pós vacinação é um evento extremamente raro e a probabilidade de um indivíduo desenvolver a SGB após um episódio de Gripe é muito maior que após a vacinação em si.

Conduta – Monitoramento e suporte, que pode incluir internação e imunoterapia na fase aguda e reabilitação motora posterior. Fica contraindicada a administração futura da vacina em questão.

_ Reações do TIPO III – É a reação oriunda da formação e depósito de imunocomplexos em determinados tecidos, causando vasculite e eventual necrose tecidual, fenômeno conhecido como “Reação de Arthus”.

A “Reação de Arthus” localizada caracteriza-se por eritema intenso, enduração e edema no local de vacina- ção, acompanhada de dor importante e dificuldade de movimentação do membro, podendo em casos raros evoluir com a formação de bolhas de conteúdo seroso. Apresentam um início tardio (entre 6 h a alguns dias após a vacinação) e duração mais prolongada (7-14 dias), sendo também mais frequentes em pessoas acima de 60 anos ou após a revacinação precoce, associadas a presença de altos títulos de anticorpos contra os sorotipos vacinais (gerados por vacinação ou infecção prévias).

Dentre as reações de hipersensibilidade relacionadas a vacinas, a “Reação de Arthus” tem sido na prática a mais frequentemente observada, principalmente com as vacinas anti-pneumocócicas (polissacarídica e conjugada) e as vacinas contendo o toxóide tetânico (como a dT).

Conduta – Devido ao seu aspecto inflamatório intenso, esta reação é com uma certa frequência confundida com uma celulite e tratada com antibióticos e até mesmo internação hospitalar, o que acaba protelando a sua resolução, já que o tratamento mais indicado não é aplicado. Esta reação é normalmente autolimitada e a conduta mais adequada é a aplicação de compressas geladas nos dois primeiros dias e uso de medica- ção anti-histamínica via oral.

É aconselhável evitar o uso futuro da vacina em questão mas no caso das vacinas contendo o toxóide tetâni- co deve-se considerar a manutenção da imunização, aumentando-se o espaçamento entre as doses.

_ Reações do TIPO IV- São as reações de hipersensibilidade tardia, , mediadas por linfócitos T e macrófagos no local de exposição ao antígeno, com lesão tecidual. Podem aparecer semanas após a exposição inicial ao antígeno (como no caso da vacina BCG, onde é esperada a formação de granuloma local com eventual necrose central) mas em casos de reexposição podem surgir mais precocemente, 24-48h após o contato (mecanismo envolvido no Teste PPD, com formação de eritema e pápula locais). As reações de hipersensibi- lidade tardia podem ocorrer também, raramente, após o uso de vacinas que contem traços de antibióticos, como a neomicina (Ex: vacina IPV, dTap, pentavalente, hepatite A + B e tríplice viral entre outras), com formação de eritema, placa elevada e/ou prurido no local de administração.

Conduta – Excetuando-se os casos envolvendo as reações esperadas (vacina BCG e Teste PPD), que não demandam tratamento, os demais podem ser tratados com anti-histamínico tópico ou via oral. Normalmente – não contraindica a administração futura da vacina em questão.

Ref: https://www.cdc.gov/vaccines/pubs/pinkbook/safety.html / http://vaccine-safety-training.org/risk-perception.html / https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK236294/

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VACINAS PARA A PREVENÇÃO DO CÂNCER

Hoje em dia já é bem caracterizada a relação entre inflamação crônica causada por uma infecção viral persistente e o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o hepatocarcinoma x vírus da Hepatite B (HBV), o câncer de colo de útero x Papiloma vírus humano (HPV) e o câncer gástrico x Helicobacter pylori.

A boa notícia é que a redução na transmissão de 2 destes vírus – HBV e HPV – através do uso rotineiro e ampliado de vacinas pela população representa um potencial direto de redução da incidência de tumores relacionados.

HEPATITE B e CÂNCER

A Hepatite B ainda é considerada um problema de saúde pública mundial, com aproximadamente 291 milhões de pessoas infectadas no globo (2016), apesar de haver uma vacina extremamente segura e eficaz disponível desde a década de 80.

A transmissão do vírus da Hepatite B (HBV) através do contato com sangue e fluidos corporais foi precoce- mente estabelecida. Entretanto, foi a conscientização da relevância da transmissão sexual e a comprova- ção da contaminação também no momento do parto que mudou drasticamente a indicação de uso da vacina na década de 90, passando a ser universalmente recomendada a partir do nascimento, já que quando administrada nas primeiras horas de vida reduz em 90% o risco de transmissão perinatal (mesmo quando a mãe é HBsAg +).

Os programas de eliminação da transmissão do vírus da Hepatite B na infância são especialmente importantes quando consideramos o risco e as consequências de uma infecção persistente pelo HBV.

CRIANÇAS APRESENTAM UM MAIOR RISCO DE CRONICIDADE

Sabe-se hoje que risco de uma pessoa infectada evoluir para uma forma crônica é inversamente proporcional à idade de contaminação: enquanto 90% dos recém-nascidos infectados e 30-50% das crianças infectadas entre 1 e 5 anos de vida evoluem para uma infecção persistente, menos de 5% dos adultos infectados se tornam crônicos.

A CRONICIDADE ESTÁ DIRETAMENTE RELACIONADA AO DESENVOLVIMENTO DO HEPATOCARCINOMA

E as consequências da infecção persistente pelo HBV já são bem determinadas, onde 20-30% dos indivíduos que se tornam crônicos morrem prematuramente de cirrose ou câncer primário de fígado (hepatocarcinoma). Esta correlação se torna ainda mais expressiva nas áreas endêmicas da doença, onde 60-90% dos casos de hepatocarcinoma em adultos e aproximadamente 100% dos casos em crianças estão relacionados à forma crônica da doença.

A vacinação global contra a Hepatite B a partir do nascimento nos últimos 20 anos já é responsável por uma queda importante nas taxas de infecção pelo vírus em crianças menores de 5 anos (de 4,7% na era pré-vacina para 1,3% em 2015) e representa hoje uma ferramenta promissora no combate ao hepatocar- cinoma entre os jovens.

HPV e CÂNCER

O papiloma vírus humano (HPV) é um grupo que compreende mais de 150 tipos virais relacionados e é atualmente a infecção sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo. Estima-se que pratica- mente todas as pessoas sexualmente ativas serão contaminadas por pelo menos 1 tipo do vírus ao longo da vida.

A infecção pelo HPV é assintomática, o que permite uma grande transmissão sem o conhecimento, e ocorre geralmente nos primeiros anos da vida sexual (3/4 das infecções em mulheres ocorrem dos 15-24 anos).

A infecção persistente (por pelo menos 10 anos) por um dos tipos oncogênicos do vírus (16 ou 18) pode causar câncer de colo de útero nas mulheres (em torno de 70% dos casos são associados aos subtipos 16 e 18) e anu-genital e oro-faríngeo em ambos os sexos.

O câncer cervical é o 4o. câncer mais comum em todo mundo e, apesar de ser um dos poucos que podem ser prevenidos, continua a ser um problema de saúde pública global importante.

A vacinação sistemática de todos os jovens, preferencialmente antes do início da vida sexual, é o método mais eficaz para a prevenção da infecção e suas consequências. Por este motivo vários países
– incluindo o Brasil (desde 2014) – já adotaram “Programas Nacionais de Vacinação contra o HPV”, com foco nos adolescentes. A Austrália, que implementou o programa na rede escolar em 2007, pretende se tornar em breve o 1o. país a declarar eliminado o câncer cervical associado ao HPV.

Ref: http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hepatitis-b / https://www.thelancet.com/pdfs/journals/langas/PIIS2468-1253(18)30056-6.pdf https://www.cdc.gov/hepatitis/hbv/index.htm / https://www.cdc.gov/vaccines/vpd/hpv/ / http://www.hpvvaccine.org.au/

Nota de Revisão

TUMORES DE CAVIDADE ORAL RELACIONADOS AO HPV

Dr. Claudio Silveira Tovar
Pneumologista, Mestre em Saúde e Meio Ambiente (Fiocruz)

Estudos epidemiológicos comprovam o crescente papel de subtipos específicos do vírus HPV no desenvol- vimento de tumores da cavidade oral, especialmente os localizados na base da língua e em região tonsilar.

Distinto dos tumores de cabeça e pescoço relacionados a exposição prévia ao tabaco e ao álcool, onde são frequentes as mutações no gene supressor p53, as neoplasias associadas à infecção pelo HPV estão predominantemente relacionadas ao genótipo infectante, majoritariamente o HPV-16 e o HPV-18.

Responsável por mais de 50% dos tumores de orofaringe atualmente identificados, as neoplasias de orofaringe HPV relacionadas apresentam características clínicas bem específicas tais como a localiza- ção anatômica preferencial, o nítido predomínio no sexo masculino, a maior incidência em jovens e um melhor prognóstico, que a distinguem dos tumores HPV negativos. Estas peculiaridades, associadas a possibilidade de prevenção e redução de incidência através a imunização, refletem uma patologia com crescente relevância na saúde pública global.

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GUIA DE PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A GRIPE

O QUE É A GRIPE?

A gripe é uma infecção respiratória causada por subtipos de um vírus chamado Influenza.

Tem como principais características o aumento do nº de casos no outono e no inverno, alta transmissibilidade e período de incubação extremamente curto, o que propicia o surgimento dos famosos surtos.

Embora a maioria das pessoas se recupere em alguns dias, com repouso e medicação sintomática, algumas pessoas desenvolvem complicações graves, que podem colocar a vida em risco e até mesmo resultar em morte.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE GRIPE E RESFRIADO?

O resfriado é causado por um grupo diferente de vírus e apresenta sintomas respiratórios muito mais brandos que os da gripe, não comprometendo as atividades diárias.

COMO PREVENIR A GRIPE E COMO EVITAR A SUA TRANSMISSÃO?

A vacinação anual conta a GRIPE é considerada a medida mais eficaz para a prevenção da doença.

Além disso, a adoção de medidas simples de higiene é essencial para evitar a sua transmissão, como:

  • Lavagem frequente das mãos com água e sabão ou álcool gel;
  • Uso de lenços de papel descartáveis para cobrir a boca e o nariz ao tossir / espirrar.

COMO AGE A VACINA?

A vacina contra a Gripe protege contra os principais tipos do vírus Influenza em circulação no corrente ano, responsáveis pelo maior nº de casos.

AS PESSOAS VACINADAS PODEM PEGAR A DOENÇA?

Não é comum mas sim, podem. Existem alguns fatores que permitem que isso aconteça, como:

  • A pessoa se contaminar com o vírus da gripe próximo à data da vacinação. Neste casso, a vacina não teria tempo de induzir a proteção desejada, já que toda vacina demora em torno de 15 dias para conferir alguma proteção.
  • A pessoa vacinada se contaminar com um vírus não presente na composição da vacina do corrente ano. A vacina contra a gripe é atualizada anualmente e a chance de uma pessoa se infectar com um vírus não presente na vacina é pequena mas existe.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA GRIPE?

  • Febre, calafrios, dor muscular, dor nos olhos;
  • Dor de garganta, tosse, secreção nasal;
  • Dor de cabeça, fadiga, falta de ar;
  • Náusea e vômitos (especialmente em crianças).

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES DA GRIPE?

  • Otite, Pneumonia, bronquite, sepsis;
  • Descompensação de doenças preexistentes, como doença pulmonar obstrutiva, insuficiência cardíaca, diabetes, entre outras.

QUEM DEVE SE VACINAR?

Todas as pessoas com risco aumentado de desenvolver complicações da GRIPE:

  • Crianças < 5 anos e adultos > 65 anos
  • Gestantes
  • Portadores de doenças crônicas
  • Todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade que queiram diminuir as chances de pegar gripe.

A VACINA CONTRA A GRIPE PODE CAUSAR GRIPE?

Não. As vacinas contra a gripe de uso injetável são inativadas (vírus morto) ou sintéticas (sem a presença do vírus). Isto significa que não podem causar infecção e muito menos a doença.

ENTÃO POR QUE ME VACINAR?

Por 2 grandes motivos:

  • Para diminuir as chances de pegar gripe
  • Para não transmitir gripe a pessoas de alto risco

VACINAÇÃO ANUAL CONTRA A GRIPE

SAÚDE É QUALIDADE DE VIDA!

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INFORMAÇÕES PARA PROFISSIONAIS EM SAÚDE DA CRIANÇA

Artigo traduzido da página do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), atualizado em 20 de maio de 2020
https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/pediatric-hcp.html

MANTENDO A IMUNIZAÇÃO E O CUIDADO INFANTIL DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19

Medidas de distanciamento social e quarentena resultaram no declínio das consultas pediátricas e no declínio na administração de vacinas, deixando crianças sob o risco de contraírem doenças preveníveis. Enquanto algumas autoridades desenvolvem planos e estratégias para a reabertura, os profissionais de saúde são encorajados a trabalharem com as famílias para manter a caderneta de vacinação das crianças em dia. Os médicos em comunidades afetadas pela COVID-19 devem continuar a usar estratégias de separação entre pacientes saudáveis e pacientes doentes. A seguir, alguns exemplos:

  • Agendamento de pacientes doentes e pacientes saudáveis em momentos diferentes do dia;
  • Redução de aglomeração nas salas de espera – pedir que os pacientes esperem do lado de fora (por exemplo, que esperem em seus veículos, se possível) até serem chamados ao consultório ou consulta, ou organizando cabines de triagem para a realização de consultas em pacientes seguramente;
  • Colaboração com os profissionais de saúde da comunidade para identificar locais exclusivos para o atendimento de crianças.

Os profissionais de saúde devem identificar as crianças que não compareceram às consultas de rotina e/ou deixaram de se vacinar e devem entrar em contato com os responsáveis individualmente, começando por recém-nascidos e progredindo para bebês até os 24 meses de idade, crianças e adolescentes. O acompanhamento da caderneta de vacinação de cada indivíduo, assim como o registro individual, podem dar suporte a este trabalho.
Todos os recém-nascidos devem ir ao pediatra logo após a liberação da maternidade (de três a cinco dias de idade). Idealmente, as consultas de recém-nascidos devem ser feitas pessoalmente durante a pandemia de COVID-19 para que se avalie hidratação e possível icterícia, e garanta que todos os exames no recém-nascidos tenham sido realizados. Ao longo do crescimento da criança, o acompanhamento deve ser mantido.

O FARDO DA COVID-19 ENTRE AS CRIANÇAS

Há registros de casos pediátricos de COVID-19 causados pelo coronavírus SARS-CoV-2. No entanto, há relativamente menos casos da doença em crianças quando comparados a casos em adultos.

  • Nos Estados Unidos, 2% dos casos confirmados se deram em pessoas menores que 18 anos.
  • Na China, 2,2% dos casos confirmados foram em menores de 19 anos.
  • Na Itália, 1,2% dos casos se deram em menores de 18 anos.
  • Na Espanha, 0,8% dos casos confirmados foram em menores de 18 anos.
  • No Brasil (até 17/05/2020), 0,6% dos óbitos por COVID-19 se deram em pessoas menores que 19 anos.

*Fonte: https://www.poder360.com.br/coronavirus/conheca-a-faixa-etaria-dos-mortos-por-covid-19-no-brasil-e-em-mais-5-paises/*

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