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1ª DOSE DA VACINA CONTRA A HEPATITE B AO NASCER SALVA VIDAS


FALSAS CONTRA INDICAÇÕES – PROPHYLAXIS CLÍNICA E VACINAÇÃO

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Falsas contra-indicações e oportunidade perdida

A Oportunidade Perdida ocorre “toda vez que uma pessoa, estando apta e precisando se vacinar, não é imunizada ao comparecer a uma unidade de vacinação”. Esta condição resume uma situação ainda bastante comum em nosso país: a adoção de falsas contra-indicações à vacinação, que, apoiadas em conceitos errados sobre as vacinas, resultam na perda da oportunidade do encontro da criança ou do adulto com o serviço de saúde e o consequente prejuízo da cobertura vacinal.

I. Conceitos errados sobre vacinas:

A maioria dos pais hoje em dia nunca viu um caso de Difteria, Sarampo ou outra doença outrora comum mas hoje prevenível por vacina. Consequentemente, alguns pais questionam a necessidade dos seus filhos de ainda tomarem determinadas vacinas contra doenças que aparentemente não existem mais. Além disso, mitos e informações erradas sobre ísegurança em vacinação” existem em abundância e podem confundir pais que estão tentando tomar decisões seguras sobre a saúde de seus filhos ou a própria.


A vacinação é um evento extremamente frequente e memorável e é comum, quando 2 eventos são associados no tempo, de serem automaticamente associados pelas pessoas como ícausa e efeito”. Enquanto alguns sintomas ou reações que sucedem uma vacinação podem ser causados pela vacina em questão, muitos outros são eventos não relacionados que ocorrem por coincidência após a vacinação. Logo, é de suma importância a pesquisa científica que visa distinguir os efeitos adversos pós-vacinais verdadeiros dos não relacionados.

Seguem abaixo alguns exemplos de conceitos errados sobre vacinas que comumente levam as pessoas a questionarem o seu uso:

1 – Falso – As doenças já tinham começado a desaparecer antes do uso das vacinas, devido a melhoria das condições sanitárias e de higiene:

Declarações como esta são muito comuns na literatura anti-vacina, aparentemente com a intenção de sugerir que as vacinas não são necessárias.

A melhoria das condições sócio-econômicas teve sem dúvida um impacto indireto no perfil das doenças. Mas se observarmos a incidência das doenças infecciosas ao longo dos anos, é inquestionável o significativo impacto direto que as vacinas tiveram e ainda têm, mesmo nos dias atuais.

Ex1. Nas últimas décadas, doenças como o Sarampo (Gráfico 1), a Difteria, o Tétano e a Coqueluche, entre tantas outras, evoluíram em todo o mundo com picos periódicos, sendo a única queda significativa de suas incidências correlacionadas ao licenciamento e uso ampliado das vacinas em questão.

Gráfico 1: íIncidência do Sarampo – EUA, 1950-2001″

Ex2. A experiência de alguns países desenvolvidos em deixarem os níveis de cobertura vacinal da população caírem resultou em surtos dramáticos e imediatos de doenças já controladas nestes países. Um exemplo clássico ocorreu com a Grã Bretanha e o Japão na década de 70 e com a Suécia na década de 80 que, considerando a Coqueluche controlada em seus países e os riscos de reações associados a vacina uma preocupação maior, resolveram interromper o seu uso, resultando em pouco tempo em surtos importantes da doença. Uma situação semelhante está ocorrendo na União Soviética, que após diminuir a cobertura vacinal contra a Difteria em crianças e adultos na década de 90, vive agora a maior epidemia da doença que o país já enfrentou.

Estes fatos deixam claro que, não só as doenças não vão desaparecer sem as vacinas como, se pararmos de vacinar, elas retornarão.

2 – Falso – Se a pessoa vacinada ainda apresenta o risco de ípegar” uma doença imunoprevenível, não vale a pena vacinar:

Este é outro argumento frequentemente visto na literatura anti-vacina, com a implicação de que as vacinas não são eficazes.

O fato é que nenhuma vacina é 100% eficaz. Para se fazer vacinas mais seguras que as doenças, as bactérias e os vírus precisam ser mortos ou atenuados (enfraquecidos). Por questões relacionadas aos indivíduos, nem todas as pessoas vacinadas desenvolvem imunidade (uma minoria não responde adequadamente à imunização). Entretanto, a maioria das vacinas rotineiras da infância é eficaz em 85-95% das crianças.

Portanto, o risco de uma pessoa contrair uma doença infecciosa é incomparavelmente menor se ela tiver sido imunizada contra a doença em questão.

3 – Falso – As vacinas causam vários tipos de reações adversas graves e o risco da vacinação não compensa

As vacinas são na realidade muito seguras, apesar de apologias contrárias em várias publicações anti-vacinas (as quais algumas vezes contêm o no. de notificações de eventos adversos e conduzem o leitor a inferir que todos eles representam eventos adversos verdadeiros).

A grande maioria dos eventos adversos verdadeiros são leves e transitórios, como uma reação inflamatória no local de aplicação da vacina ou febre moderada. Estas reações normalmente podem ser controladas com o uso de anti-inflamatórios/anti-piréticos.

Eventos adversos mais sérios ocorrem raramente (na ordem de 1 para milhares / 1 para milhões de doses) e alguns são tão raros que não é possível se avaliar o risco.

A Tabela 1 compara os riscos associados à doença e ao uso de 2 vacinas que são comumente consideradas, de forma equivocada, como ínão seguras” e responsáveis por causar danos à saúde. A partir da observação destes dados, fica claro que uma criança tem muito mais chance de ser prejudicada por uma destas doenças que por qualquer vacina.

TABELA 1: íRisco da Doença x Risco da Vacina”

Enquanto qualquer evento clínico mais grave causado por uma vacina é considerado inaceitável, é evidente que os benefícios decorrentes da vacinação ultrapassam em muito os baixos riscos associados ao procedimento e que um número muito superior de eventos clínicos graves e mortes ocorreriam se as pessoas não se vacinassem

4 – Falso – Determinadas doenças preveníveis por vacinação já foram praticamente eliminadas de alguns países, logo a vacinação não é mais necessária

É verdade que a vacinação levou à redução na incidência de várias doenças preveníveis por vacina em diversos países. Entretanto, algumas destas doenças ainda são prevalentes – até mesmo epidêmicas – em outras partes do mundo (como alguns países da África). Viajantes podem desavisadamente íreintroduzir” doenças imunopreveníveis em países que apresentam baixa incidência destas doenças e se a população não estiver bem protegida pelas vacinações estas doenças podem rapidamente se espalhar causando epidemias. Do mesmo modo, os poucos casos que ocorrem anualmente em países com baixos níveis de doenças imunopreveníveis podem se transformar em curto espaço de tempo em centenas de milhares sem a proteção das vacinas.

Deste modo, a vacinação deve ser mantida por 2 razões principais:

1ª.) Para a proteção dos vacinados: mesmo sendo baixo o risco de adquirir determinadas doenças, elas ainda existem e podem infectar qualquer pessoa não vacinada.

2ª.) Para a proteção daqueles não vacinados: existe um pequeno no. de pessoas que não pode ser vacinado (por exemplo: por alergia grave ao componente de uma determinada vacina) e um pequeno percentual de pessoas que não responde à vacinação. Estas pessoas são suceptíveis às doenças e a única esperança de proteção é de que as pessoas ao redor sejam imunes e não transmitam estas doenças.

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