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1ª DOSE DA VACINA CONTRA A HEPATITE B AO NASCER SALVA VIDAS


Marcadores sorológicos da Hepatite B

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Marcadores sorológicos da Hepatite B

Diversos sistemas antígeno-anticorpo são associados com a infecção pelo vírus da Hepatite B (HBV).

O HBsAg, formalmente chamado de antígeno austrália, é um determinante antigênico encontrado na superfície do vírus e que pode pode ser identificado no soro uma a três semanas após a exposição ao HBV, persistindo por períodos variáveis. O HBsAg não é infeccioso; somente o vírus completo é infeccioso. Entretanto, quando o HBsAg está presente no sangue, o vírus completo também está e indica que a pessoa está infectada (podendo ser uma infecção aguda ou crônica) e pode transmitir o HBV.

O HBcAg é a proteína do nucleocapsídeo central do HBV. O HBcAg não é detectável no soro pelas técnicas convencionais mas pode ser detectado no tecido hepático de pessoas com infecção aguda ou crônica pelo HBV.

O HBeAg é uma proteína solúvel também contida no centro do HBV. Ë detectável no soro de pessoas com altos títulos virais e indica alta infectividade.

O anticorpo anti-HBsAg se desenvolve após a infecção aguda pelo HBV (durante a convalescência) ou após a vacinação contra a Hepatite B. A presença do anti-HBsAg indica imunidade à Hepatite B. Uma títulagem superior à 10 mIU / ml é considerada indicativa de imunidade.

O anticorpo anti-HBcAg aparece logo após a infecção pelo HBV e geralmente persiste por toda a vida, indicando infecção pelo HBV a um tempo indeterminado no passado. Este anticorpo não aparece após a imunização contra a Hepatite B.

O anti-HBcAg IgM indica infecção recente pelo HBV e é o melhor marcador sorológico da infecção aguda.

O anticorpo anti-HBeAg se torna detectável quando o HBeAg desaparece e é associado a baixa infectividade do soro.

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E SOROLÓGICAS

A maioria das infecções agudas nos adultos resulta em completa recuperação, com eliminação do HBsAg do sangue e produção do anticorpo anti-HBsAg (conferindo imunidade a futuras infecções pelo HBV).

1 – 2% dos casos em adultos se apresenta como hepatite fulminante, com taxas de mortalidade de 63 – 93%. Mas apesar das consequências da hepatite B aguda poderem ser severas, a maioria das complicações graves são devidas à infecção crônica, como a hepatite crônica, a cirrose, a falência hepática e o carcinoma hepatocelular .

O risco de se desenvolver infecção crônica pelo HBV decresce com a idade. Aproximadamente 90% dos recém-nascidos que adquirem a infecção pelo HBV no nascimento se tornam portadores; das crianças infectadas entre 1–5 anos de idade, 30–50% se tornam portadoras. Já os adultos apresentam um risco menor de se tornarem portadores (em torno de 6-10%).

TESTE SOROLÓGICO DAS PESSOAS VACINADAS

"Para adultos e crianças com estado imunitário normal, não são recomendadas doses adicionais da vacina nem testes sorológicos de rotina para se avaliar o estado imunitário dos vacinados."

1. SOROLOGIA PRÉ-VACINAÇÃO:

O teste sorológico não é recomendado antes da imunização de rotina de crianças e adultos (incluindo profissionais de saúde em formação).

Deve ser considerado somente nos grupos que apresentam alto risco de infecção pelo HBV, como homosexuais masculinos, usuários de drogas endovenosas, nativos do Alaska, residentes das Ilhas do Pacífico, crianças de imigrantes de países endêmicos e familiares de portadores do HBsAg.

2. SOROLOGIA PÓS-VACINAÇÃO:

Após 3 doses da vacina contra a Hepatite B, administradas por via intra-muscular, mais de 90% dos adultos e 95% das crianças desenvolvem uma resposta imunitária adequada, ou seja, uma titulagem de anti-HBsAg superior a 10 mUI / ml.

Assim, o teste sorológico não é recomendado de rotina após a imunização de crianças, adolescentes e a maioria dos adultos.

Deve ser considerado para pessoas cujo manejo subsequente depende do conhecimento do seu estado imunitário, como: recém-nascidos de mães HBsAg +, hemodialisados, imunocomprometidos e determinados profissionais de saúde.

Quando necessária, a sorologia para detecção do anti-HBsAg deve ser feita de 1-2 meses após a finalização do esquema de vacinação, de modo a fornecer informações definitivas sobre a resposta da vacina.

Todos os recém-nascidos e mães HBsAg + devem ser testados de 3-9 meses após a terceira doses da vacina contra a Hepatite B. Se O HBsAg não for detectável e o anti-HBsAg estiver presente, estas crianças podem ser consideradas protegidas.

Em 1997 o ACIP passou a recomendar o teste sorológico de rotina (anti-HBsAg) após a vacinação para todo profissional de saúde que tenha contato com pacientes ou sangue e estão sob risco de ferimentos com instrumentos cortantes ou agulhas.

3. VACINADOS NÃO-RESPONDEDORES:

Vários fatores têm sido associados a não-responsividade à vacina contra a Hepatite B, como fatores relacionados à vacina (dose, esquema, local de administração) e fatores relacionados ao hospedeiro, como: idade (> 40 anos), sexo (masculino), peso (obesidade), ser fumante e competência imunonógica.

A revacinação dos não-respondedores a um esquema primário de vacinação administrada no deltóide produz uma resposta adequada em 15-25% após 1 dose adicional e 30-50% após 3 doses adicionais.

Dados sugerem que, para pessoas que não responderam à uma série primária administrada no glúteo, a revacinação no deltóide induz uma resposta adequada em 75% dos casos.

Conduta para não respondedores

  • Completar uma 2° Série de 3 doses da vacinas
  • Administrar a 2° Série no esquema usual: 0,1 e 6 meses
  • Repetir a sorologia 1-2 meses após o término da 2° Série

Atenção: Como os títuos de anti-HBsAg podem cair em pessoas que responderam com títulos baixos, pessoas inicialmente respondedoras podem ser erroneamente consideradas não-respondedoras caso testadas após o período ideal de 1-2 meses após a 3a. dose da vacina. Para pessoas que se vacinaram há mais de 6 meses e que ao fazerem uma sorologia não apresentam o anti-HBsAg detectável, pode-se considerar repetir uma dose da vacina para se avaliar o nível de anti-HBsAg 1 mês depois. Se houver um titulo protetor, pode-se considerar que a pessoa havia respondido previamente. Se não houver resposta, o restante do esquema pode ser administrado.

Apesar dos estudos sugerirem bons resultados após novas doses da vacina, pessoas que não respondem a 3 novas doses (em torno de < 5%) possivelmente não responderão e devem ser consideradas não imunes à infecção pelo HBV. Esta não resposta também pode estar ligada a fatores genéticos e HLA específicos.

Fonte: Epidemiology and Prevention of Vaccine Preventable Diseases
(The Pink Book), National immunization Program, CDC – 6a. Edição, 2001

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