II. Recomendações gerais sobre vacinação e falsas contra-indicações :
Relacionamos abaixo algumas recomendações gerais sobre imunização de modo a esclarecer as dúvidas mais comuns nesta área, algumas das quais geram frequentemente falsas contra-indicações.
Como via de regra, “as vacinas são recomendadas para os indivíduos do grupo etário mais jovem sob risco de contrair uma doença para a qual eficácia e segurança foram demonstradas”.
1. Intervalo entre as doses de uma mesma vacina:
É demonstrado que as idades recomendadas e os intervalos entre as doses de uma mesma vacina apresenta a melhor relação de eficácia e proteção, logo é importante que a vacinação seja realizada sempre o mais próximo possível do Calendário de Vacinação recomendado para a idade.
Doses administradas muito próximas ou numa idade abaixo da recomendada pode levar a uma resposta imune não ideal. Assim, o ACIP recomenda que doses administradas até 4 dias antes do intervalo mínimo ou idade recomendados sejam consideradas válidas (com exceção para a vacinação anti-rábica). Doses administradas a um intervalo ou idade inferior não devem ser consideradas válidas e devem ser repetidas.
Já com relação a atrasos no esquema de vacinação, intervalos maiores que os recomendados não comprometem as concentrações finais de anticorpos, embora a proteção desejada só seja alcançada após a finalização do esquema de vacinação. Do mesmo modo, a interrupção de um esquema de vacinação não requer o seu reinício ou a adição de doses extras.
2. Administração simultânea de vacinas:
A administração simultânea de todas as vacinas que uma pessoa tem que fazer é essencial para que se aumente a probabilidade desta pessoa ficar completamente protegida na idade apropriada, principalmente na infância.
Ao contrário do que se pensa, a administração simultânea das vacinas vivas e inativadas mais comumente usadas produzem taxas de soroconversão e reações adversas similares às observadas quando estas vacinas são administradas separadamente.
As vacinas inativadas não interferem com a resposta imune a outras vacinas inativadas ou vivas, podendo ser administradas simultaneamente ou a qualquer tempo antes ou após a administração de outras vacinas.
Já as vacinas vivas de administração parenteral (injetáveis), caso não administradas no mesmo dia, devem ser dadas com um intervalo de no mínimo 30 dias sempre que possível.
Exceções são as vacinas vivas anti-Polio oral (que pode ser administrada simultaneamente ou a qualquer intervalo de outras vacinas virais vivas) e a vacina anti-amarílica (que também pode ser administrada a qualquer intervalo após a vacina contra o Sarampo).
O uso de vacinas combinadas é um grande avanço que permite reduzir o número de injeções necessárias em uma visita a Unidade de Saúde e número de oportunidades perdidas.
3. Gravidez:
Não existe evidência de risco de se vacinar grávidas com vacinas virais inativadas ou toxóides. A vacina dupla adulto (dT) deve ser indicada rotineiramente durante a gravidez e a anti-gripal recomendada de rotina para toda a grávida a partir do 2° trimestre. As vacinas IPV, anti-Hepatite B, anti-Hepatite A, anti-pneumocócica e anti-meningocócica também devem ser consideradas para grávidas com risco aumentado de contrair estas infecções.
Com relação às vacinas virais, a gravidez é uma real contra-indicação à vacina contra o Sarampo, a Caxumba e a Rubéola e à vacina contra a Varicela, devido ao risco teórico de causar algum dano ao feto, embora nenhum caso de Rubéola congênita ou síndrome de varicela assim como anormalidades atribuídas à infecção fetal foram observadas entre crianças nascidas de mães suceptíveis inadvertidamente vacinadas durante a gestação. Já a anti-amarílica deve ser considerada para gestantes em áreas onde o risco da doença é alto.
4. Outras:
Entre as condições mais frequentemente consideradas como falsas contra-indicações estão: a diarréia, as infecções respiratórias menores do trato superior (incluindo a otite média) com ou sem febre, reações locais leves ou moderadas a uma dose anterior da vacina, o uso de anti-microbianos e o estado de convalescência de alguma doença aguda.
Em geral, os prematuros (independente do peso ao nascimento) também devem ser vacinados de acordo com a idade cronológica e calendário seguidos por recém-nascidos a termo (com exceção da vacina contra a Hepatite B, que deve ser dada como rotina somente em crianças a partir 2 Kgs).
A desnutrição, a exposição recente a uma doença infecciosa e a amamentação também não devem ser consideradas contraindicações à vacinação.
Uma contraindicação verdadeira caracteriza-se por uma condição da pessoa que aumenta o risco dela desenvolver uma reação adversa grave. A única contraindicação verdadeira comum a todas as vacinas é uma história de reação alérgica grave a uma dose anterior da vacina ou a algum de seus componentes.
O imunocompromentimento também pode contraindicar determinadas vacinas.
Entretanto, as demais contraindicações costumam ser temporárias e a vacinação pode ser realizada posteriormente, como o estado de febre associado a alguma doença aguda.















