Prophylaxis – Clínica de Vacinação

A vacina BCG como agente promotor de imunidade acessória contra o Coronavírus (SARS-CoV-2)

À medida que a pandemia de COVID-19 avança, pesquisas por vacinas ou estudos que apontem tratamentos eficazes são cada vez mais aguardados. Uma das possibilidades levantadas para o combate ao SARS-CoV-2 foi se a vacina BCG (bacilo Calmette-Guérin) teria alguma eficácia como agente promotor de imunidade contra a COVID-19.

A vacina BCG (bacilo Calmette-Guérin) é usada para a prevenção de formas graves de tuberculose, mais comuns em recém nascidos. Em alguns países – principalmente no hemisfério sul – ela é recomendada como vacina de rotina para todas as crianças.

Em alguns estudos epidemiológicos preliminares, levantou-se a hipótese de que países que não possuem políticas de vacinação contra a tuberculose apresentariam maior taxa de infecção e mortalidade pelo coronavírus. Assim, a possível correlação entre a BCG e a mortalidade pela SARS-CoV-2 começou a ser investigada.

O que se observa no decorrer da pandemia é que não há esta correção direta, já que em alguns países onde a BCG é usada na rotina, o número de infectados e óbitos/milhão é muito semelhante a outros países que não usam a BCG. Como exemplo podemos citar o próprio Brasil, que faz a BCG como parte integrante do PNI desde a década de 70 e que até o momento desta publicação apresentava 21 mil casos da doença/milhão de habitantes e 643 óbitos/milhão, uma estatística bem semelhante aos Estados Unidos, que não faz a BCG de rotina e que apresentava na mesma ocasião 21 mil casos/milhão e 610 óbitos/milhão.

Como pode ser verificado na tabela 1 abaixo, não se pode identificar diferenças relevantes entre os países que utilizam a BCG na rotina em comparação aos que não o fazem.

Tabela 1 – Comparação de total de casos / M e total de mortes / M entre alguns países que fazem a BCG de rotina e países que não fazem a BCG de rotina:
Fonte: www.worldmeters.info/coronavirusupdates
Data: 14/09/2020

A própria OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu um comunicado (início de abril) onde alertava que não há comprovação científica sobre a efetividade da BCG contra a COVID-19 (leia aqui: https://www.who.int/news-room/commentaries/detail/bacille-calmette-gu%C3%A9rin-(bcg)-vaccination-and-covid-19).

Para saber mais sobre o assunto, ouça o sexto episódio do Podcast da Prophylaxis (link aqui), onde a Dra. Miriam Tendler, médica formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Doutora em doenças infecciosas parasitárias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, conversa com a Dra. Flavia Carijó, diretora médica da clínica, sobre a hipótese de que a BCG possa proteger contra a COVID-19.

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