Prophylaxis – Clínica de Vacinação

Diminuição cuidado saúde

Dados do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde apontam que cerca de metade das crianças brasileiras não recebeu todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Imunização em 2020.

Esses números são alarmantes, já que a principal e mais eficaz maneira de se combater diversas doenças é a vacinação. O baixo índice de imunização da população pode trazer consequências graves, como o reaparecimento de doenças que já estavam sob controle. Um dos exemplos recentes é o surto de sarampo que o país enfrenta. Apesar de ter conquistado o certificado de erradicação do sarampo em 2016, a doença voltou e, até o início de agosto deste ano, o Brasil já tinha registrado mais de 7,7 mil casos.

São diversos os motivos para a queda nos índices de imunização. Dentre eles, os principais são a disseminação de fake news a respeito das vacinas e a interrupção na procura de serviços de saúde pela população durante a pandemia de COVID-19.

Este último motivo, inclusive, tem colocado em perigo avanços conquistados ao longo dos últimos 30 anos.

Leia abaixo uma matéria publicada pela OMS sobre o assunto.

A COVID-19 pode reverter décadas de progresso em direção à eliminação de doenças infantis, alertam agências

9 de setembro de 2020 – Nova Iorque/Genebra

Com o menor resultado no número total de mortes de crianças com menos de cinco anos de idade em 2019, a interrupção na prestação de serviços de saúde para crianças e mães devido à pandemia colocam milhões de vidas em risco.

O número de mortes de crianças com menos de cinco anos de idade no mundo caiu ao menor nível histórico em 2019 – 5,2 milhões (em 1990 era 12,5 milhões) -, de acordo com estimativas da UNICEF, da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais e do Grupo Banco Mundial.

Desde então, no entanto, pesquisas da UNICEF e da ONU revelam que a pandemia de COVID-19 resultou em grandes interrupções nos serviços de saúde que ameaçam desfazer décadas de progresso duramente conquistado.

“A comunidade global trabalhou muito com o objetivo de eliminar mortes infantis preveníveis para permitir que a pandemia de COVID-19 nos tire dos trilhos”, afirmou Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF. “Quando as crianças têm o acesso negado aos serviços de saúde porque o sistema está sobrecarregado e quando as mulheres sentem receio de dar a luz nos hospitais com medo de se infeccionarem, elas também se tornam vítimas da COVID-19. Sem investimentos urgentes para reiniciar sistemas e serviços de saúde interrompidos, milhões de crianças com menos de cinco anos, especialmente recém-nascidos, podem morrer”.

Ao longo dos últimos 30 anos, os serviços de saúde para prevenir ou tratar as causas da mortalidade infantil como partos prematuros, baixo peso no nascimento, complicações no trabalho de parto, sepse neonatal, pneumonia, diarreia e malária, assim como a vacinação, têm realizado papel fundamental no salvamento de milhões de vidas.

Agora, vários países estão vivenciando interrupções nos serviços de saúde para mães e crianças. Check ups, vacinação e cuidados pré e pós natais estão deixando de ser feitos devido ao contingenciamento de recursos e a preocupações generalizadas em relação ao uso de serviços de saúde devido ao receio de contágio pela COVID-19.

Uma pesquisa da UNICEF feita no verão do hemisfério norte em 77 países aferiu que 68% destes países reportaram alguma interrupção nos exames de saúde das crianças e nos serviços de imunização. Além disso, 63% dos países reportaram interrupções nos exames pré natais e 59% nos cuidados pós natais.
Uma pesquisa recente conduzida pela OMS, baseada em respostas de 105 países, revelou que em 52% deles houve interrupções nos serviços de saúde para crianças doentes e em 51% nos serviços de cuidados em desnutrição.

Intervenções de saúde como essas são críticas para evitar mortes preveníveis de recém nascidos e de crianças. Por exemplo, as mulheres que recebem cuidados de parteiras treinadas de acordo com padrões internacionais são 16% menos vulneráveis a perderem seus bebês e têm 24% menos chances de experimentar nascimentos prematuros, de acordo com a OMS.

“O fato de que hoje mais crianças vivem para comemorar seu primeiro aniversário do que em qualquer época da história é um marco real do que pode ser alcançado quando o mundo coloca a saúde e o bem-estar como metas”, afirma o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS. “Agora, não podemos deixar que a pandemia de COVID-19 reverta esse progresso notável para nossas crianças e para as gerações futuras. Ao invés disso, é o momento de colocar em prática aquilo que sabemos que salva vidas e de manter o investimento em sistemas de saúde mais fortes e resilientes”.

Com base nas respostas dos países que participaram das pesquisas da UNICEF e da OMS, as razões mais citadas para as interrupções nos serviços de saúde incluem pais evitando ir a centros de saúde pelo medo da infecção, restrições no transporte, suspensão ou fechamento de instalações e serviços, diminuição no número de profissionais de saúde devido a realocamentos ou receio de se infeccionarem devido à falta de equipamentos de proteção como luvas e máscaras, e dificuldades financeiras. Afeganistão, Bolívia, Camarões, República Centro-Africana, Líbia, Madagascar, Paquistão, Sudão e Iêmen estão entre os países mais atingidos.

Sete destes nove países apresentaram taxas de mortalidade infantil de mais de 50 mortes a cada mil nascimentos em crianças com menos de cinco anos de idade em 2019. No Afeganistão, onde uma a cada 17 crianças morria antes de alcançar os cinco anos em 2019, o Ministro da Saúde reportou uma significativa redução nas visitas a instalações de saúde. Por medo de contrair a COVID-19, as famílias não estão priorizando os cuidados pré e pós natais, aumentando o risco de mulheres grávidas e recém-nascidos.

Mesmo antes da COVID-19, os recém nascidos já corriam alto risco de vida. Em 2019, um recém-nascido morria a cada 13 segundos. Além disso, 47% de todas as mortes anteriores aos cinco anos de idade ocorriam no período neonatal – em 1990, esse índice era de 40%. Com interrupções graves nos serviços de saúde essenciais, os recém-nascidos podem sofrer muito mais risco de morrerem. Por exemplo, no Camarões, onde um a cada 38 recém-nascidos morreram em 2019, a pesquisa da UNICEF reportou uma estimativa de 75% de interrupções nos serviços de cuidados essenciais de recém-nascidos, de check ups pré-natais, de atendimento obstétrico e de cuidado pós-natal.

Em maio, um estudo da Johns Hopkins University mostrou que poderia haver um aumento de quase 6 mil mortes de crianças por dia devido a interrupções causadas pela COVID-19.

Esses relatórios e pesquisas enfatizam a necessidade de ação urgente para restaurar e melhorar os serviços de parto e de cuidado pré e pós natal para mães e bebês, incluindo profissionais de saúde qualificados que cuidem deles durante o trabalho de parto. Um trabalho para amenizar as preocupações dos pais também se faz necessário.

“A pandemia de COVID-19 colocou anos de progresso global na prevenção da mortalidade infantil em perigo”, afirma Muhammad Ali Pate, diretor global de Saúde, Nutrição e População no Banco Mundial. “É essencial proteger estes serviços que salvam vidas e que se mostraram chave na redução da mortalidade infantil. Vamos continuar trabalhando com governos e parceiros para reforçar sistemas de saúde para que eles garantam que mães e crianças recebam os serviços que precisam”.

“Esse novo relatório demonstra todo o progresso contínuo na redução da mortalidade infantil”, afirma John Wilmoth, diretor da divisão de população do Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais. “Enquanto o relatório enfatiza os efeitos negativos da pandemia em intervenções críticas à saúde das crianças, ele também chama a atenção para a necessidade de se reparar as vastas iniquidades nas perspectivas de sobrevivência e boa saúde de uma criança”.

Artigo original no link abaixo:
https://www.who.int/news-room/detail/09-09-2020-covid-19-could-reverse-decades-of-progress-toward-eliminating-preventable-child-deaths-agencies-warn

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