Prophylaxis – Clínica de Vacinação

HESITAÇÃO EM VACINAR AMEAÇA SAÚDE GLOBAL

HESITAÇÃO EM VACINAR AMEAÇA SAÚDE GLOBAL

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de incluir entre as 10 maiores ameaças à saúde pública o que se convencionou chamar de HESITAÇÃO EM VACINAR, que é a relutância ou recusa em se vacinar contra uma doença infecciosa imunoprevenível.

Seja por falta de informação qualificada, ou por uma escolha ideológica, o fato é que uma pessoa não vacinada coloca em risco não apenas sua própria saúde, como também atenta contra a saúde das pessoas com quem convive.

As vacinas são instrumentos para uso populacional, em massa e de forma constante, e só assim são eficazes. A consequência da decisão unilateral de não se vacinar é a diminuição da cobertura vacinal e exposição desnecessária da população a doenças potencialmente graves.

Quando falamos de prevenção falamos sobre antecipação de riscos. Não riscos teóricos e distantes, mas riscos reais e constantes. Haja visto o Sarampo, já controlado em vários países e eliminado de outros tantos (incluindo aí o Brasil), que apresenta hoje um aumento de 30% na incidência global, simplesmente
pela queda da cobertura vacinal. Só nos EUA – de janeiro à abril deste ano – já são 555 casos confirmados, sendo considerado o segundo maior surto da doença no país, desde que foi considerado eliminado em 2000.

Do mesmo modo não é surpresa a Difteria, contra a qual existe vacina disponível e integrante do “Programa Ampliado de Imunização” desde a década de 70, “reaparecer” em alguns países. Segundo alerta da OPAS, Venezuela e Haiti apresentam surtos importantes da doença e já existem casos notificados no Brasil
e na Colômbia. O surto na Venezuela, iniciado em 2016 e ainda ativo, é o mais expressivo e contabiliza 1602 casos (com 142 óbitos) no período de 2016 a 2018, sendo a faixa etária de 5-19 anos de idade a mais atingida.

Se não mudarmos – de uma vez por todas – a nossa maneira de pensar com relação ao próprio conceito de
prevenção continuaremos a constatar o inexplicável: “Que a vacinação, uma das ações que comprovadamente apresenta melhor relação custo-benefício para a
prevenção de doenças (ela por si só é responsável pela prevenção de 2-3 milhões de mortes anuais em todo o mundo), poderia ainda prevenir outros 1.5 milhões de mortes anuais caso fosse realizada da forma correta, ou seja, de forma ampla e rotineira.”

Vacinação é hábito. Vacinação faz parte da vida e de toda a vida.
Vacinação salva vidas.
Está mais do que na hora de aderirmos realmente a esta ideia

NOTA SOBRE A VACINA PERDIDA

Uma das consequências da hesitação em vacinar ocorre quando surgem notícias sobre casos de alguma
doença imunoprevenível, como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro, após a divulgação de que meningite era a suposta causa mortis do neto de um ex-presidente do país.

Nesses momentos há uma verdadeira corrida às vacinas perdidas. Tirando a rara exceção da Raiva, pressa não combina com prevenção. As vacinas não são desenvolvidas, nem devem ser utilizadas, como os medicamentos, que são instrumentos para uso em caráter individual e
por um determinado período de tempo. As vacinas fazem parte do rol das atividades de rotina, não por acaso o seu protocolo de uso é chamado de
“Calendário de Vacinação”.

Curiosamente observamos que quem HESITA em se vacinar hoje tem URGÊNCIA amanhã, mas não se
constrói uma rede de proteção em surtos de resposta ao pânico.

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